A vida é uma caixinha de surpresas.

Você sonha, se esforça para tornar seus sonhos realidade, planeja para que tudo aconteça de forma tranquila, segue tudo o que foi planejado e se joga. Vive intensamente aquilo que sonhou, se esforçou e planejou viver. Só que o universo nem sempre colabora com suas vontades e, frequentemente, acaba cortando seu barato cedo demais.

O ano de 2013 foi decisivo para mim. O contrato do meu apartamento estava acabando, estava finalmente terminando a faculdade, o trabalho já não estava me acrescentando nada. Era o momento perfeito para mudar minha vida. E foi o que fiz.

Me inscrevi em um programa de voluntariado na Inglaterra e enquanto esperava a resposta decidi mudar para Recife, para aproveitar a vida longe da selva de pedra depressiva que era São Paulo. Tudo ia muito bem até que umas pedrinhas entupiram o que não deviam no meu sistema digestivo e tive que ser transportado as pressas de volta para São Paulo para três meses de hospitais e cirurgias. Sobrevivi com pequenas cicatrizes apenas e ainda fui selecionado para o lance na Inglaterra, então dos males o menor.

Estou morando na Inglaterra há quase seis meses. O frio é intenso, assim como o aprendizado. A vida não é um paraíso, mas é o mais perto da utopia que já cheguei. Então não foi surpresa quando decidi contrariar tudo o que disse antes de vir pra cá e tentei conseguir um visto permanente para me mudar de vez para Inglaterra. E aí a vida me deu mais uma rasteira.

Meu visto não pode ser renovado e eu tenho que sair do Reino Unido até dia 19 de agosto de 2015.

É como experimentar o melhor sorvete do mundo só para descobrir que ele acabou quando você decide pedir mais um pouco.

Não que a Inglaterra seja o melhor sorvete do mundo, mas aprendi a gostar daqui. Queria ficar mais. Queria conhecer mais. Queria ter a opção.

Não basta sonhar, se planejar e fazer tudo certo.  As vezes você só precisa de sorte.

Sorte para arranjar um marido rápido ou para que algum antepassado tenha nascido no lugar certo.

Parafraseando Eminem, a vida é uma jornada louca e nada está garantido. A verdade é que você nunca sabe o que vai acontecer amanhã.

A vida é uma caixinha de surpresas realmente.

Escrever sempre foi uma fuga.

Percebi isso recentemente ao folhear o “diário” que mantenho há quase dez anos. Diário entre aspas porque tenho pouco mais de trinta páginas escritas. Páginas repletas de medos, inseguranças e solidões diluídas em quase uma década de histórias. Eu fui muito feliz nesse período e fico perplexo ao ver tanto sofrimento naquele caderno preto.

Escrever é uma terapia. É quando transformo em rabiscos sentimentos que não quero pronunciar.

É claro que nem sempre foi assim. Escrever já foi um dos meus hobbies. Criava histórias por diversão. Histórias repletas de heróis, monstros e paixões avassaladoras. Escrever também já foi uma forma de conseguir amigos e popularidade. Minhas opiniões polêmicas e meus reviews ácidos colecionavam fãs e haters por todo o país. Escrever quase já foi minha profissão, mas em pouco tempo descobri que escrever nunca poderia ser uma obrigação para mim. Escrever é minha fuga.

E sempre que preciso volto.

O Dualístico está aqui desde 2010 (desde 2001 na verdade, mas isso já é outra história…) por isso.

Ele vai mudando, se transformando de acordo com minha necessidade, ficando quietinho junto comigo algumas vezes e gritando tantas outras vezes.

Esse é meu canto. Tentei transformar ele em uma marca, mas eu sou complexo de mais para fazer isso funcionar. Então se você caiu por aqui agora não se assuste. É meio assim, estranho, mesmo.

Aceite essa peculiaridade. Me aceite.

Compartilhe comigo.

Me escute.

Escrevo porque preciso.

Escrever é minha fuga.

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